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30.10.02
Flagrantes da poeta
Conheci Luciana Tonelli em 1993, quando eu era a cunhadinha da jornalista. O irmão mais novo da Tonelli vivia dizendo que a irmã lia poesia marginal. Até ali, eu só conhecia poesia com nome pomposo: Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles. A poesia que a Luciana chama, nesta entrevista, de oficial.
Quando li Oswald de Andrade, algo me beliscou mais forte. O cara era muito mais sacana do que os outros. Por quê? Se ele podia... Mas que porra era essa de poesia marginal? (Só pra localizar o leitor, quando a poesia marginal estava rolando, nos idos de 1970, eu mal começava a desenvolver minha coluna vertebral no útero da minha mãe).
A Luciana lia Paulo Leminski, Chacal, Alice Ruiz, Ana Cristina César e mais um monte de gente que escrevia algo entre a poesia, a piada e a crítica ao filha-da-putismo geral da nação e da cena literária. Pirei o cabeção e resolvi jogar os piruá pra cima. Parei de escrever versos inverossimelmente alexandrinos, com palavras difíceis e parti pra porrada.
Quando conheci os poemas da Luciana, ela já os havia publicado no Flagrantes do poço. Fiquei parada ali nos hahahás dela um tempão. Pô, minha cunhada era poeta!
O namoro com o irmão dela foi pro saco, mas a Luciana continuou na minha estante de livros, nesta estante virtual. E eu continuo achando que ela deve ter mais poesia guardada na gaveta.
Régis Gonçalves e Luciana Tonelli
Quarta-feira, Outubro 30, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
Estante: Luciana, você só publicou o Flagrantes do poço, né? Não pensa em flagrar mais poesia não?
Luciana: Penso sim, mas tô longe de conseguir. Ainda não tenho nenhum projeto claro na cabeça. Estou num momento de entressafra mesmo, de tentar reelaborar algumas coisas na vida, especialmente essa coisa da produção... E como a poesia, para mim, está relacionada a uma forma de ler o mundo, de se posicionar, ela não está sendo muito possível neste momento...
Estante: Como foi que você chegou à publicação dos poemas do Flagrantes?
Luciana: Foi através do poeta Marcelo Dolabela, idealizador do projeto Poesia Orbital, que publicou 62 livros no ano do centenário de Belo Horizonte (quando rolou também sua estréia com Poesinha, né?). O Marcelo tinha se tornado (ainda é) uma referência muito importante pra mim, depois de uma oficina no Festival de Inverno da UFMG, e pela própria poesia dele, que conheci na ocasião. Daí, eu o procurava de vez em quando, atrás de alguns toques literários e musicais. Numa dessas, criei coragem pra mostrar a ele uns escritos, e ele me incentivou a publicar. Acabei participando do grupo que organizou a coleção, e também vários recitais durante o ano de 1997. Então, minha estréia foi meio na tora: junto com a poesia chegaram os poetas, um coletivo muito heterogêneo, mutante, cheio de questões complicadas para além da poesia... Foi uma experiência intensa, como é próprio da poesia. E também tensa.
Quarta-feira, Outubro 30, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
Luciana: Li pouca poesia até hoje. Sei que é uma heresia, mas foi assim que as coisas aconteceram. Comecei direto pelos ditos marginais, a geração mimeógrafo, Leminski, Alice Ruiz, Chacal, Torquato, Ana C... E li, de uma forma muito... assim... errante, um pouco da poesia brasileira oficial... Hoje, além de suprir lacunas dessa leitura tonta, tô buscando ler mais os escritores contemporâneos ¿ esse pessoal aqui da Estante! ¿ e continuar outras leituras fora da literatura que me interessam, tipo aquele povo da coleção Baderna, Taz e etc... Também gosto de ler coisas da praia da filosofia, antropologia... E acaba virando uma colcha de retalhos cheia de buracos. Acho que é coisa da formação do jornalista, ao menos da minha geração, geração 80: como a técnica era a coisa maaaais importante, os conteúdos ficavam por conta da gente mesmo. Só que a maior parte das pessoas, e eu me incluo nisso, chegava bem burrona na faculdade, depois de passar pela porcaria do tal científico... Então, o buraco era inevitável... Tinha que ficar esperta pra sair garimpando o que era realmente importante saber, e eu me sinto nesse processo até hoje...
Estante: Flagrantes do poço é um título bastante deprê, né não? O que são os flagrantes? Que poço é esse?
Luciana: É deprê mesmo, mas com uma pontinha de humor, né? Pior seria se eu tivesse ficado na primeira idéia que me veio à cabeça, Memórias do Poço! Já pensou? Aí é que eu não ia sair nunca desse poço mesmo! Mas o lance é o seguinte: esses poeminhas surgiram num momento de lucidez mais aguda... Tava com um sentimento muito forte de ovni, de falta de lugar pra pouso, não tinha como não sair meio deprê. Eu acho deprê pra caramba, mas ainda bem que tem gente que acha engraçado! Ufa!
Estante: Quando é que vai ter mais poesia sua circulando por aí?
Luciana: Ah, Ana, não tenho a menor idéia! O processamento mental anda bastante lento por aqui! Vamos por partes: antes de mais nada, preciso me transformar numa boa leitora! A Estante tá me ajudando nisso!
Estante: Obrigada, Luciana. E esperamos pelos próximos flagrantes.
Luciana: Eu é que agradeço, Ana! Também tô ansiosa pelas próximas perversidades, héim? E sucesso aqui no blog! Adorei a iniciativa e a forma como você tá conduzindo a coisa! Beijão!
Quarta-feira, Outubro 30, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
25.10.02
O poeta dos três caminhos
Ricardo Aleixo é um desses caras veementes. Conheci o nome dele antes de conhecer o trabalho. O primeiro livro dele que comprei foi o Trívio, mas já havia lido sua poesia em outros cantos. O Joca Reiners Terron, que o Ricardo cita aqui, já falava do Rique, do Rix, do Aleixo. E quando eu li o Trívio, resolvi fazer uma resenha para meu site, o Patife.
Qual não foi minha surpresa quando, um dia, apareceu um e-mail do Ricardo Aleixo na minha mailbox. Simpaticissimamente, ele agradecia pela resenha.
Só mais tarde, depois do lançamento do meu livro, o Perversa, é que conheci o Ricardo Aleixo, na calçada da Livraria da Travessa, e pudemos nos confessar umas coisas, trocar idéias e falar dos projetos literários.
Ricardo Aleixo é poeta, músico e bate um bolão quando troca idéias no corredor do Mercado Central de Belo Horizonte. A entrevista com ele, aqui no blog, vai ficar sempre aquém do que poderia ser. Mas vamos lá:
Ricardo Aleixo
na Livraria da Travessa
Estante: Ricardo, fala pra nós dos seus livros anteriores ao Trívio. Sabemos que seu percurso poética vem de longe.
Ricardo: Vem dos idos de 1977, quando eu não tinha a menor idéia quanto ao que fazer da minha vida. Mas o primeiro livro, Festim, só saiu em 1992. Depois veio A Roda do Mundo, que eu dividi com Edimilson de Almeida Pereira, em 1996. Em 99, saiu Quem faz o quê?, pela Formato: um poema-livro para crianças de todas as idades. Dez anos depois do lançamento de Festim, continuo a ter muito carinho por ele. É um livro torto, errado, esquisito, mas foi o que me permitiu olhar com um maior distanciamento a primeira fase de minha poesia.
Estante: Como é que você se sente sendo um autor estudado no vestibular? Já teve contato com algum estudo de obra sobre o Trívio? As coisas que dizem procedem?
Ricardo: É muito bom, por razões óbvias. É a minha chance de virar best-seller. Quaquaraquaqua! E ao mesmo é irônico, já que, por amor à poesia, eu decidi não cursar universidade. É irônico principalmente pelo fato de que sou contra induzir alguém ao que quer que seja, ainda mais quando se trata de um bem tão especial e raro quanto a poesia. Numa boa, não li nem quero ler nada do que escreveram ou vão escrever sobre Trívio como matéria de vestibular. Eles que são brancos ¿ e os que não são ¿ que se entendam.
Sexta-feira, Outubro 25, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
Estante: Como você vê a cena poética brasileira atual? E a cena poética em Belo Horizonte? Tem gente legal? Falta mais atividade?
Ricardo: Aqui e no resto do Brasil, tem muita gente fazendo coisas legais, muita gente fazendo coisas mais ou menos, muita gente fazendo o que pode. O que falta não é mais atividade, e sim mais diálogo, mais interações críticas. Sinto que estamos ficando entregues a um perigosíssimo clima de amiguismo, que acaba, por sua vez, servindo de porta de entrada para o valetudismo. Mas olhe: se eu fosse citar os nomes do pessoal que anda fazendo trabalhos acima da média em poesia, no Brasil, eu chegaria facilmente a uns vinte nomes. E só para você não pensar que estou tirando o meu da reta, cito dois nomes ainda não devidamente reconhecidos, mas que já mandam bonito há muito tempo: Ana Caetano e Joca Reiners Terron. Quem não conhece o que esses dois fazem corre o risco de ficar completamente por fora.
Estante: Qual é a relação entre seu trabalho poético e a música?
Ricardo: Sou daqueles para quem a vida, sem a música, seria nada, quase nada. Antes de me decidir pela poesia, eu já cantava. Hoje, me divido entre a música-mesmo (trilhas sonoras para dança, vídeo e tal), canções (compondo, sozinho ou com parceiros como Maurício Tizumba, Gil Amâncio e Zeca Baleiro, letra e música) e as performances multimídia, em que exploro a música da fala, os nexos entre a fala e o canto. Tamanha é a importância desse vínculo poesia/música, no meu projeto criativo, que concebo meus livros como partituras. E há, não menos importante, a relação com as artes visuais. Faço livros-objetos, objetos sem palavras, instalações, videopoemas. Tudo isso eu defino como atividades de extensão poética.
Estante: Quais são seus próximos projetos literários e musicais?
Ricardo: Sai agora, em novembro, uma plaquete com seis poemas, editada em Ouro Preto pelo Guilherme Mansur: Máquina Zero. No ano que vem, deve sair um pequeno livro de artigos e ensaios sobre a poesia brasileira contemporânea e um outro de temática mais abrangente (culturas africanas, racismo e mídia, arte experimental, música, etc.). Na música, vou continuar as apresentações do espetáculo Trívio, junto com o guitarrista Alvimar Liberato e o DJ Rato, e dar seqüência ao projeto de gravar meu primeiro CD solo, com canções e peças experimentais. Mas sem pressa nenhuma. Até porque meu grande projeto, a partir de novembro, não é nem literário nem musical: vou mais é ficar corujando a Flora, minha segunda filhazinha (a primeira é a Iná, que está com sete anos e já escreve e faz música).
Estante: Obrigada, Ricardo, pela entrevistícula. Faremos uma maior para um espaço maior.
Ricardo: Quando quiser. Estamos aí. Foi um prazer.
Sexta-feira, Outubro 25, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
21.10.02
Trívio, laudatoriamente
Leitores e leitoras desta Estante,
Ainda não capturei Luciana Tonelli pra uma entrevistícula. Mas deixem estar... Um dia La Tonelli vai dizer de suas manias literárias, sua atitude naif, sua veia poética. Enquanto isso, laudamos Ricardo Aleixo numa resenha que, originalmente, foi publicada no Patife (www.patife.art.br), aquele site cheio de gracinhas que eu editava.
O Patife vai voltar pro ar todo reformulado. Todos vocês serão avisados por meio da Peteca eletrônica.
Eis aqui uma resenha laudatória de não sei quantos toques em sejam lá quantas linhas.
Na época em que escrevi esta resenha, ainda não tivera o prazer de conhecer Ricardo Aleixo. Só o havia visto na foto da página 82 do livro que a Scriptum (que até então era só e já uma livraria) lançou. E eu estava na contramão do que um dos poemas diz: ¿para os outros [os que não são amigos] releases e orelhas vertidos para a língua morta dos jornais diários¿.
Depois de certos eventos literários na capital mineira, acabei batendo papo com Aleixo em livraria, assistindo a uma sua performance músico-poética e tomando golo num corredor do Mercado Central de BH.
De qualquer maneira, não dá pra verter os elogios ao Trívio para a língua morta dos blogues.
Trívio detona a verve poética do poeta belo-horizontino. E não escolhi o livrim do Aleixo porque o cara é de Beagá, mas porque ouvi falar que era contêiner de poesia, da boa, e porque o livro é vermelho e porque é um trívio, e curto, de fato, coisas assim. Entre tótens, margens e ludopédios, Ricardo Aleixo apresenta uma poesia franzida, intensa e pouco verbosa. Uma pepita aquela ¿Humanos¿. ¿Cine-ouvido¿ é tetéia, como diz muito gravemente minha mãe, quando o elogio é pra valer. É deveras bom ler o que se passa num crânio que pensa. Principalmente quando ele pensa enquanto sente.
Trívio foi indicado pra o concurso vestibular de uma faculdade de Belo Horizonte. Não foi à-toa. Mas a moçada que se cuide com as leituras rasas dos cursinhos pré-vestibular. Trívio tem muito mais do que sonha nossa vã pedagogia.
Trívio
Ricardo Aleixo
Scriptum
Segunda-feira, Outubro 21, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
15.10.02
Flagrantes dos Flagrantes do poço
Flagrantes do poço, de Luciana Tonelli, jornalista de trinta e poucos anos, é um dos livros de um projeto que comemorou os cem anos de Belo Horizonte. Tal projeto, Poesia Orbital, reuniu mais ou menos 70 poetas mineiros (ou similares) que perambulavam escrevendo pela capital das Gerais até 1997.
La Tonelli era uma das poetas que circulavam destilando poesia marginal, como diz a orelha do livreto, escrita por Marcelo Dolabela. E a moça insiste, ainda hoje, em dizer que estes Flagrantes foram apenas uma aventura. Não se assume, mas é poeta, mesmo sem querer.
Luciana captava, em momentos de uma fúria deprê, a crítica corrosiva e a melodia poesiva de morar nesta BH de burgueses pseudomarginais. De minha preferência são os poemas em que ela trata de beber a vida, de improvisar e de flagrar-se no poço onde encontram-se os mauricinhos (e suas digníssimas mulheres-bibelôs), que não sacam nada do que encenam neste palco duvidoso. Luciana compõe à Leminski o que sente, dando grito e uma poesia curta e grossa, embora sensibilíssima a chuvas e trovoadas.
Leia, se encontrar em alguma livraria e durma com essa:
"não saem baratos esses hahahás
custam o preço de uma alegria inteira
e anos de improviso".
Flagrantes do poço
Luciana Tonelli
Poesia Orbital
Terça-feira, Outubro 15, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
9.10.02
Nu entre nuvens
Antes de ler a resenha, clique na barra de rolagem e olhe a capa deste livro. Depois volte aqui e me responda: não dá vontade de comer?
Nu entre nuvens tem aquele projeto gráfico que valoriza tudo. A nuvem da capa posou para a foto da Patricia Perocco e foi calibrada pelo Photoshop do Joca Terron. Um algodão-doce voador. A fonte dos títulos e até o sumário ficaram pairando no papel.
Este Nu entre nuvens é um livro de poesia de estrutura e ¿jeito¿ muito diferente dos que já foram resenhados aqui nesta Estante. Em primeiro lugar, porque é um livro composto de maneira mais enquadrada: possui índice, dedicatória, apresentação, miolo, agradecimentos, colofão. As orelhas apresentam textos de intelectuais respeitados, corroboram a tese de que vale a pena ler o livro, mas não têm tom publicitário.
A poesia de Reynaldo Damazio tem outra voz, bem menos coloquial e cotidiana do que as vozes de Luiz Roberto Guedes (com suas anas sinuosas), Ivana Leite (com suas fêmeas imponderáveis), Wir Caetano (com suas putas domésticas). Damazio é acometido de imagens poéticas altamente eivadas de metáforas e de metalinguagem. Sempre a língua e a linguagem esbarram nelas mesmas e os poemas de Damazio viram faíscas.
¿Sonhar assanha a alma¿ ¿ assonância nua entre sibilas do S. E Damazio assanha as imagens e sensações do leitor de Nu entre nuvens com suas deambulações pela linguagem. O livro, no entanto, é leve. Ondulado, sem ser nublado.
Fique nu. Entre nuvens.
Ficar nu entre algodões-doces deve mel(ec)ar.
Nu entre nuvens
Reynaldo Damazio
Ciência do Acidente
Quarta-feira, Outubro 09, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro
4.10.02
A ferida aberta
Jorge Sousa Braga é português. Infelizmente, esta edição de A ferida aberta não traz qualquer informação sobre o autor. Sei que ele é português porque a editora o é, porque procurei por ele na internet, porque o vi citado por outros portugueses. Mas vale a pena procurar pelos livros desse portuga.
O primeiro verso de A ferida aberta é ¿metade mulher metade pássaro¿. Já lá pela metade do livro, o leitor começa a se sentir perambulando por um hospital-maternidade. A certa altura, dá pra enxergar aquele monte de bebês lá dentro daquela sala grande, cheia de berços e incubadoras. E o leitor aqui, deste lado do vidro, que não dá vontade de transpor. Dá pra observar ultra-som.
Pouco pra lá da metade do livro, o leitor começa a achar que Jorge S. Braga é ginecologista, pediatra talvez. O tema é sempre a mulher, mas uma visão que perscruta a vulva. A visão de quem examina, mede, identifica, diagnostica. Raramente é uma visão afetiva, como comprovam os bacilos de Döderlein.
Uma voz fala de útero, de púbis, de vulva, de fetos-monstros, de recém-nascidos arrependidos. Mas o tom não é trágico, nem triste. É médico. Mas tem-se ainda o prazer de degustar com os olhos aquelas construções lusitanas que não usamos e palavras improváveis: penso, ansa, nenúfares, contentor.
O livro não chega a ser impressionante porque é muito pequeno (apenas 24 poemas).
O último poema, ¿Diário de bordo¿, é o relato de um feto dentro do útero da mãe. Lembrou-me coisa do Lorca, mas só de leve. O final é muito sensível, embora esta não seja a melhor definição para Jorge S. Braga.. A imagem é apropriada:
¿Mãe,
A distância entre mim e ti
não se mede em centímetros mas em lilases¿.
E mais:
Memória
Invariavelmente as suas cartas
Traziam colagens de pétalas de
Rosas amores perfeitos papoilas
Sobre uma cartolina dura
E invariavelmente também um pêlo
Do púbis como assinatura
Procurem:
A ferida aberta
Jorge Sousa Braga
Assírio & Alvim (Lisboa)
Sexta-feira, Outubro 04, 2002
Publicado por Ana Elisa Ribeiro

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